“A chuva cai”, poema de Ofélia Cabaço

A chuva cai, coisa pouca,

sua voz débil, rouca,

como minh´alma em dias assim,

 

Algo se afasta de mim,

na procura incessante de abandonados

campos de salgueiros, inclinados

ao peso de longa vida,

 

Dos seus ramos lampejam lágrimas,

nesta manhã de chuva pouca,

cantando em tom desafinado,

um hino aos finados…,

 

Dançam contas d´água em cada folha,

murmúrio insólito de uma  velha,

Quem será?

Talvez um colar perpétuo de pouca cor,

 

Ou joia perdida na floresta,

talvez um espírito de condor,

Desfalecem as nuvens no firmamento,

 

E a terra molhada manifesta

Vida, no retorno do Sol,

No alvoroço dos dias em festa,

 

Ofélia Cabaço

Novembro 2021