As sugestões de leitura de Miguel Real e Filomena Marona Beja

Filomena Marona Beja e Miguel Real, conhecidos escritores e membros da Rede Cultural de Sintra deixam-nos sugestões de leitura.

Miguel Real sugere-nos “O Noviço- Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos” de Fernando Faria .

O século XVI é o tempo cronológico deste romance histórico, que agarra o leitor desde a primeira página, com descrição do ambiente que envolveu a inauguração do Convento dos Capuchos, em Sintra. Repleto de episódios que relembram a pureza do ideal monástico aos luxos da vida na corte. Em torno da personagem do misterioso Frei Agostinho da Cruz, o autor desfia um enredo envolvente e repleto de emoção. Uma viagem a tempos passados, no ambiente solene e contido dos frades do Convento de Santa Cruz ou da Cortiça.

Filho de pequenos agricultores, Fernando Faria nasceu em Maceira – Leiria pelo meio do século XX e vive em Sintra desde 1993. O seu percurso profissional foi todo desenvolvido na área da Justiça, encontrando-se atualmente jubilado da carreira da magistratura do Ministério Público. Apesar de, ainda criança, ter deixado o aconchego familiar para ingressar no seminário e, já adulto, ter demandado outras paragens, manteve durante toda a vida uma indestrutível ligação afetiva ao torrão natal, onde gosta de regressar regularmente, de preferência sozinho e incógnito, por achar que, para rever o passado de cada um, só existe um par de olhos – o próprio.

Terra Mãe, inicialmente publicado em 2010, é a sua primeira obra de ficção.

Outras obras: As Viagens de Filinto, 2012; O Noviço, 2015; Rua da Amargura, 2020.

Já Filomena Marona Beja recomenda o novo romance de António Lobo Antunes

O novo romance de António Lobo Antunes, Diccionario da Linguagem das Flores, tem como personagem principal Júlio Fogaça, membro proeminente do PCP nos anos trinta do século passado. Ao longo de vinte e quatro capítulos, numa escrita disruptiva a que Lobo Antunes já nos habituou, o leitor é levado a interrogar-se sobre a verdadeira identidade desse protagonista. Temas como o tempo, a memória e a identidade, caros ao autor, estão também presentes neste romance. Todavia, a verdadeira pedra angular da narrativa é a descoberta de um livro antigo, que está na origem do título do romance, e que origina uma surpreendente oscilação gráfica entre o português atual e o português do final do século XIX.

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973. Em 1979 publicou os seus primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, seguindo-se, em 1980, Conhecimento do Inferno. Estes primeiros livros transformaram-no imediatamente num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos no âmbito nacional e internacional. Todo o seu trabalho literário tem sido, ao longo dos anos, objeto dos mais diversos estudos, académicos ou não, e dos mais importantes prémios, nacionais e internacionais, entre os quais se contam o Prémio Juan Rulfo, 2008, Prémio Camões, 2007, Prémio Jerusalém, 2005, Prémio Ovidio, 2003 e Prémio Europeu de Literatura, 2001. A obra de António Lobo Antunes encontra-se traduzida em inúmeros países e recentemente foi anunciada a sua edição na prestigiosa coleção Pléiade.