(Des)Confinamento-Um poema de António Luís Lopes

(DES)CONFINAMENTO


Servem-te o medo em

travessa de prata,

o que não

cura, mata,

o que não arde, dura

e o medo é como a noite

escura

em laboratórios de elevada

gama, fabrica-se o medo

ininterruptamente,

embalado, perfumado,

retalhado, igual ao vazio

que há na gente

perder o emprego, perder a vida,

perder a vez, perder

a cabeça, perder a carteira,

perder o lugar,

nada é eterno

mas só o medo

dura a vida inteira.



António Luís Lopes

Sociólogo; Formador na área Comportamental e de Gestão de Pessoas; colaboração escrita, em prosa e poesia, em diversos órgãos de Comunicação Social (Diário de Notícias, Diário Popular, Jornal de Sintra, Cidade Viva, etc); menção honrosa no Concurso Literário Manuel Laranjeira, Poesia, CM Espinho, 1986; 1º prémio de poesia nos Jogos Florais Junta de Freguesia da Ameixoeira (tema – a Guerra), 1997; autor incluído na Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea – Entre o Sono e o Sonho – Chiado Books, 2019;  deputado municipal e líder do Grupo Político do PS na AM Sintra.

Ligações:

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