O regresso dos Lordes do Caos

Em Março de 2020 estávamos focados em levar a cena o nosso querido “O dragão entre o céu e a terra”. Um texto fabuloso de Gonçalo Waddington, inserido no festival Panos. 

O Festival Panos é neste momento um projeto do TNDM II e oferece aos grupo de teatro jovem 3 textos originais, escritos de propósito para cada ano lectivo. 

O nosso grupo participa neste festival desde 2009/2010, e ininterruptamente desde 2016/2017 e a experiência tem sido fantástica! Os jovens actores adaptam-se super bem aos textos propostos, não fossem estes escritos a pensar neles. A dinâmica do festival, os workshops no início do projeto e os dias do festival, são campos de oportunidade para novas amizades, novos conhecimentos e partilha de experiências que a nenhum outro nível vimos. Um bem haja ao TNDM II por ter agarrado este projeto, outrora acolhido pela Culturgest. 

Voltando a Março de 2020, o grupo estava com toda a motivação e força para a reta final dos ensaios, e com data prevista de estreia para final de Abril, ultimávamos todos os detalhes técnicos e logísticos, como cenário, luz, som, guarda-roupa, sala de espetáculos. O entusiasmo era tal, e os anos de experiência tantos, que decidimos dar um salto. Queríamos uma sala profissional desde a estreia. 

O grupo nasceu em 1991, pela mão do Professor Eurico Leote e seus alunos. E foi com muita resiliência, luta e gosto ao teatro que ao longo dos anos se foram juntando as migalhas financeiras que a actividade foi gerando ao longo dos anos. Migalhas essas que culminaram na construção de uma sala-estúdio semi-profissional nas instalações da Escola Secundária de Mem Martins. O espaço era maravilhoso, digno e tinha todas as condições para se trabalhar a um nível mais elevado do ponto de vista dos recursos técnicos. Porém, com as renovações dos espaços escolares que ocorreram por todo o País, o pavilhão onde estava incluído o nosso estúdio, foi demolido, e com ele, a nossa sala-estúdio, e nas novas plantas, não havia um espaço dedicado ao teatro como outrora. 

Os anos foram passando, e desde montar peças no bar da escola até a corredores dos pavilhões, foi finalmente construído um auditório escolar polivalente. Porém, pensado apenas para palestras e projecções. O espaço conta actualmente com uma pequena plateia montada por nós até 60 lugares e um palco curto e um pé direito de 2 metros, branco. Portanto, não é a tão confortável blackbox teatral, mas tem-nos servido de espaço para proferir a nossa paixão.   

Sendo os recursos técnicos reduzidos e adaptados constantemente, e dada a qualidade que os nossos espetáculos atingiram, sentimos necessidade de dar o tal salto. E foi então que estabelecemos contacto com o Teatromosca, companhia residente e responsável pelo Auditório Municipal António Silva, no Cacém. Apresentámos o nosso projeto e acolheram-nos de imediato, sendo conhecedores do nosso trajeto e com a missão de trazer o máximo de cultura à sua comunidade, o Teatromosca mostrou-se de portas aberta, disponibilizando-nos o espaço para duas apresentações com os seus recursos técnicos ao dispor. Era o salto que os nossos espetáculos precisavam. Avizinhava-se uma estreia fantástica. 

E de repente, com tudo pronto para a recta final… eis que veio o confinamento. E o nosso projeto adiado, e adiado, e adiado. E quando as coisas abriram e parecia que tudo voltara ao normal. Um segundo confinamento veio complicar ainda mais as contas. Do elenco original que compunha o nosso dragão, poucos se mantiveram no grupo. E a energia, o vigor e o desgaste de dois confinamentos, não permitiram estrear o nosso dragão. 

Voltámos agora, com este novo abrir à normalidade. E foi com a Mostra de Teatro das Escolas de Sintra que decidimos voltar ao nosso espaço e pensar em algo para deixar uma marca neste ano lectivo. 

E foi deixar essa marca que nos foi proposto pela Mostra. 

A Mostra existe à tanto tempo quanto os Lordes do Caos, foi a sua criação que motivou o nosso nascimento. É uma iniciativa cultural digna de estudo de caso. Esta iniciativa levou o teatro às escolas e criou em muitos dos alunos que nela participaram, o bichinho do teatro. E sempre sem baixar os braços e vencendo adversidades constantes, foi com o mesmo espírito que a Mostra passou por esta fase menos positiva das nossas vidas. 

Para celebra mais um ano lectivo e na impossibilidade de estarmos todos juntos novamente, foi proposto aos grupos/escolas criar uma pequena performance que pudesse ser transmitida on-line.  E foi esta proposta que nos fez voltar. 

Reunimos no espaço novamente com o intuito de criar algo. E é nessa fase de criação em que nos encontramos. Ainda a meio gás, ainda meio combalidos dos danos do confinamento, vamos readquirindo o ritmo para no próximo ano lectivo, voltarmos a elevar a nossa identidade junto de todos e para todos. 

Se estão a ler isto neste momento, é porque se encontram na nossa página do Patreon, (ou da Rede Cultural de Sintra) uma plataforma para apoiar artistas e iniciativas.

O Lordes do Caos fazem este ano 30 anos de existência, e não haverá prenda maior do que contar com o seu apoio! Veja aqui como nos pode ajudar e tenha acesso a conteúdo exclusivo sobre a nossa actividade. O seu apoio, por mínimo que seja, é essencial, e as nossas portas estarão sempre abertas. 

Um bem haja.
Lordes do Caos

Tiago Ribeiro Pereira, Diretor e encenador do grupo de teatro Lordes do Caos) 

https://www.lordesdocaos.pt/